NEOARQUEO
06 janeiro 2011
  Momentos do Passado

Nos finais do Século XIX e nos princípios do XX os nossos antepassados, os nossos familiares, trajavam elegantemente da forma plasmada na foto. Esta família, Abrunhosense, igual a todas as doutros locais, da mesma época, traja as vestes domingueiras, não as de trabalho. Aliás, a ocasião assim o exigia: ir ao fotógrafo tirar o retrato para perpetuar este delicioso e pomposo momento de família. Por cima dos vestido longos repare-se nos “cordões” de ouro que as senhoras exibiam. O cavalheiro ostentava a corrente que segurava o relógio de bolso, cruzando o colete.
Qual terá sido o propósito desta fotografia? Terá sido tirada para ser exposta na residência desta família, ou terá sido com o intuito de a enviar a familiares que se encontrassem noutras paragens, bem distantes da Abrunhosa do Mato? Para o Brasil, talvez?
Eu não consegui saber. Deixo-vos este Documento de História…

PS Este Post foi transferido para data posterior por questões técnicas.


 
<$Comentários$>:
Bem, pelo retrato vejo que na Abrunhosa já nasciam mais mulheres do que homens. Depois constato também que a tradição ainda é o que era, as mulheres dominam o mundo, ela alapada na cadeira a exibir algo que não percebo bem o que é, o homem com ar de quem tem que ir beber um tinto para ganhar força no peito e alimentar a família, o quadro se calhar é a mensagem para o Brasil, ou seria - “Pega na serra Mero que a tua tia do Brasil enganou-nos”.

Um abraço com um daguerreótipo
 
Meu caro amigo TSFM, as minhas sinceras desculpas por me alongar no comentário, mas neste caso, terei que ir mais além do que uma simples passagem por este poste que desde já agradeço muito.

Porque me “conheces bem” são necessários 6 dias para apreciar estas fotos.

As fotografias do principio do nosso século, retratando grande número de figuras populares, coisa muito rara, pois, os pobres em regra não iam tirar o retrato, não só porque dele não precisavam nas suas pequenas relações com o poder, mas porque o retratista ficava longe, na sede do concelho onde poucas vezes se deslocava e sobretudo, porque o seu custo era elevado para as suas fracas posse, logo, um luxo impensável, mesmo tratando-se de namorados, de casamentos ou baptizados.

Os trajos regionais são o espelho da cultura ligada à terra, reflectindo as características do povo e a tradição.
O trojo regional não pode ser avaliado como um todo, pois devemos analisá-lo na forma, cor, ornatos, material de confecção, estrutura, o que constitui então um conjunto adaptado à função para que foi criado.
Os trajos baseiam-se numa complementaridade de elementos regionais, com profundas raízes ancestrais, que foram sofrendo alterações ao longo da História.

Gostei de ver!
 
Seria, de facto, interessante saber o que é que a matriarca segura no regaço. Dá ideia, à primeira vista, que o objecto é que terá movivado a foto familiar.
 
O comentário do JL é pertinente. De facto o motivo para tirar a foto poderá ser o que a senhora segura no regaço. No entanto parece ser uma foto de pessoas. Não será antes uma forma de colocr na fotografia alguém que já tinha partido.
Ao contrário do que diz o Ferreira não são raras as fotografias do inicio do século retratanto familias. Uma coisa é "um grande número de figuras populares", como seja um grupo de trabalhadores", outra coisa é uma familia. Na nossa região o sentido de familia sempre foi muito forte. Se lermos os jornais locais antigos vemos referências a fotografos que andavam de terra em terra e não estavam apenas nas sedes de concelho.
Quanto aos trajes, penso que não os poderemos comentar sem ter a certeza de uma data para a foto.
 
boas.. de facto a moldura aparenta ter alguma coisa impressa. não poderá ser precisamente o marido da senhora ? que seria viuva e tirava a fotografia com o filha ou filhos, sendo que o homem estaria casado com a senhora ao lado.Teriamos os dois irmaõs com a mão sobre o ombro da idosa. a esposa do filho e o o seu filho, neto da idosa.
mas claro são suposições.
 
Gostei principalmente do comentário do mocho, é fantástico o que uma simples fotografia nos faz imaginar! Podemos ver já a familia a chegar ao fotografo a preparação a certeza de que tudo correria bem e o regresso à sua terra.... bonito!
aqui estamos sempre a aprender
 
Tinha prometido a visita 1000. Bolas, não consegui. Fui a 1001. Por um triz. :-)
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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